As músicas mais emotivas são as mais viciantes

Para que isto aconteça, as músicas devem ter quatro caraterísticas em comum. Eu conto-lhe tudo!
Por: Paula Fialho
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Já lhe aconteceu, com certeza, chorar a ouvir determinada música, sem nenhuma razão que o justifique. De repente, até uma música de um anúncio de rádio ou mesmo de televisão o emociona tanto que chega a fazê-lo duvidar da sua própria sanidade mental!


Tranquilize-se porque acontece-nos a todos!


O mais caricato é que gostamos de ouvir estas músicas em repeat, como se fossemos masoquistas! Para tudo há uma explicação e para isto também.

Em 2007, O Dr. Martin Guhn, psicólogo da Universidade Columbia, e o seu colega Marcel Zentner co-escreveram um estudo interessante sobre o assunto. Eles descobriram que algumas canções têm pelo menos quatro caraterísticas comuns:


– Começam suavemente e tornam-se altas repentinamente.
– Incluem uma entrada abrupta de uma nova "voz", seja um instrumento novo ou uma nova harmonia.
– Envolvem uma expansão das frequências tocadas.
– Contêm desvios inesperados na melodia ou harmonia.


Estas característias despoletam em nós emoções profundíssimas, sejam elas de alegria ou de tristeza.
Por outro lado, músicas emocionalmente intensas libertam dopamina no centro de prazer de recompensa do nosso cérebro,  designado como  "núcleo accumbens". Isso faz com que nos sintamos bem e essa sensação motiva-nos a repetir o comportamento. 


Seja uma música triste ou feliz, o nível de dopamina libertada é o mesmo, o que sugere que quanto mais emoções uma música provoca, mais queremos ouvi-la.

Tome-se como exemplo o tema "Someone Like You", escrita por Adele e Dan Wilson. A música começa com um padrão suave e repetitivo. Quando o coro entra, a voz de Adele salta uma oitava acima e ela canta as notas altas com volume crescente. A harmonia muda, e a letra torna-se ainda mais dramática. Tudo isso cria um clima sentimental e melancólico, que se torna viciante. Ora ouça:

 

 

Não há muito mais a explicar sobre isto. A música pode levar-nos, de fato, a um nível de resposta emocional tão intenso que seguramente  não experimentaremos essas sensações em quaisquer outras atividades do nosso dia-a-dia. Por isso... já sabe: ouvir música (sobretudo na M80) nunca é demais!
 

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