Empresários portugueses preocupados com impacto do Brexit

O presidente da CIP aponta que o 'Brexit' "representa uma quebra das exportações para aquele mercado entre 15% a 26%".
23 jun 2018
Agência Lusa
Atualidade
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A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) mostraram-se hoje preocupadas com a implicação para os negócios da saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado 'Brexit', nomeadamente nas exportações.

Falando aos jornalistas em Lisboa no final da reunião de Concertação Social, o presidente da CIP, António Saraiva, apontou que o 'Brexit' "representa uma quebra das exportações para aquele mercado entre 15% a 26%", segundo um estudo feito por esta estrutura.

A seu ver, esta é uma situação que "começa a ser preocupante".

Após um encontro para preparar o Conselho Europeu da próxima semana, António Saraiva observou ainda que a União Europeia "enfrenta problemas perigosos" em termos de "coesão e de valores", o que poderá trazer implicações para a economia.

Também em declarações aos jornalistas o presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, disse estar "preocupado com a questão do 'Brexit'".

"São ainda poucas as informações que nos chegam, principalmente sobre a gravidade que significa a concretização" do processo, apontou, questionando "o que acontece aos contratos e às exportações dos produtos agrícolas que são exportados".

Eduardo Oliveira e Sousa considerou, assim, que esta "é uma situação muito mais complicada do que está a ser transmitido à generalidade da população e [que] é necessário que haja uma consciencialização".

O Reino Unido vai deixar a União Europeia em 29 de março de 2019, dois anos após o lançamento oficial do processo de saída, e quase três anos após o referendo de 23 de junho de 2016 que viu 52% dos britânicos votarem a favor do 'Brexit'.

Depois de, em dezembro do ano passado, ter sido aprovado um documento de entendimento sobre os termos da saída, em março foram aprovadas as linhas para um período de transição que vai prolongar-se até ao final de 2020. 

Bruxelas e Londres têm até ao final deste ano para traduzirem estes acordos em textos jurídicos e assimilá-los nas respetivas legislações, ao mesmo tempo que negoceiam um futuro acordo comercial.

Falando aos jornalistas, António Saraiva, da CIP, aludiu ainda à "política que os Estados Unidos vêm manifestando em termos de protecionismo", referindo que isso "poderá trazer alterações à Organização Mundial de Comércio".

Por isso, pediu o "reforço de uma política europeia na defesa dos interesses" dos Estados-membros.
 

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