Marcelo pede "apuramento de tudo o que se passou"

Presidente da República classifica queda de helicóptero do INEM como um ?momento raro e muito triste?.
16 dez 2018
Agência Lusa
Atualidade

O Presidente da República classificou hoje a queda de um helicóptero do INEM, que provocou a morte de quatro pessoas, como um “momento raro e muito triste” e pediu o apuramento de “tudo o que se terá passado”.

“A minha primeira palavra vai, naturalmente, para aqueles que, infelizmente, pereceram naquele acidente [...]. Para eles e para as suas famílias vai o meu primeiro pensamento, apresentando condolências muito sentidas às famílias”, declarou hoje Marcelo Rebelo de Sousa, falando na Pontinha, Odivelas, à margem de um almoço solidário de Natal.

Após ter estado “toda a madrugada em contacto com o presidente do INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica]”, o chefe de Estado classificou este como um “momento raro, mas muito triste, e que é o retrato dos riscos da vocação que abraçaram, quer médico, quer enfermeira e bombeira, quer os pilotos”.

Notando que as vítimas mortais, “foram vítimas do serviço da comunidade e os portugueses estão gratos por isso”, Marcelo Rebelo Sousa quis também transmitir a sua solidariedade “ao INEM e em geral a todos os operacionais”.

O Presidente da República vincou que, “das várias conversas com o presidente do INEM, resultou a ideia de que há preocupação de apurar tudo o que se terá passado, rodeando este acidente, para determinar efetivamente os factos que ocorreram, como ocorreram, e as lições que se podem e devem extrair para o futuro”.

A seu ver, importa saber “o que se terá passado relativamente ao voo feito, às eventuais causas do acidente, ao conhecimento do acidente e relativamente ao tempo que mediou entre o conhecimento ou os conhecimentos e a intervenção ou intervenções que houver a seguir”.

“E, portanto, temos de apurar antes de formular juízos”, adiantou.

A queda de um helicóptero do INEM, ao final da tarde de sábado, no concelho de Valongo, distrito do Porto, causou a morte aos quatro ocupantes.

A bordo do aparelho seguiam dois pilotos e uma equipa médica, composta por médico e enfermeira.

A aeronave em causa é uma Agusta A109S, operada pela empresa Babcock, e regressava à sua base, em Macedo de Cavaleiros, Bragança, após ter realizado uma missão de emergência médica de transporte de uma doente grave para o Hospital de Santo António, no Porto.

Este é o acidente aéreo mais grave ocorrido este ano em Portugal, elevando para seis o número de vítimas mortais em acidentes com aeronaves desde janeiro.

Hoje, Marcelo Rebelo Sousa afirmou também que esteve em contacto com as forças de segurança e de socorro durante a noite no Porto e já durante a madrugada em Lisboa.

“No Porto, admiti a hipótese de me deslocar ao local, mas na altura os elementos assumidos eram muito vagos […] e aquilo que me foi dito, e eu respeitei, era que a presença do Presidente da República não ia contribuir em nada para ajudar a umas investigações que estavam muito difíceis, só iria criar problemas”, referiu, acrescentando que se deverá deslocar ao local do acidente na segunda-feira.

Mas deixou uma garantia: “Uma coisa é certa, é que certamente estarei no funeral, provavelmente serão vários ao mesmo tempo, de uma das vítimas deste trágico acidente”.

Questionado sobre a possibilidade de decretar um dia de luto nacional pelo acidente, Marcelo Rebelo de Sousa disse que, “ponderando os casos que têm ocorrido nos últimos anos, em que há cidadãos e servidores do Estado que são vítimas mortais, até para não introduzir diferença entre os que servem o Estado e os outros”, percebe que haja “um certo cuidado” em não o fazer.

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