Incêndios: quase três meses depois ainda há cinco feridos internados

Há feridos a recuperar nos hospitais de Coimbra e há vários locais onde ainda não foi reposta a rede fixa e o acesso à internet.
13 jan 2018
Agência Lusa
Atualidade

Cinco feridos dos incêndios de outubro de 2017 na região Centro continuam internadas no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) com queimaduras extensas de segundo e terceiro grau, disse à agência Lusa fonte hospitalar.

Segundo a fonte, trata-se de quatro adultos e uma criança que não correm risco de vida, mas que apresentam lesões "muito complicadas de tratar" e, por isso, "bastante morosas".

"Dois dos adultos e a criança ainda estão entubados e ventilados e assim vão manter-se", acrescentou.

As extensas lesões no corpo obrigam os feridos a deslocarem-se ao bloco operatório "uma a duas vezes por semana".

A fonte hospitalar adiantou que três dos feridos adultos estão internados no serviço de queimados e outro no serviço de cirurgia plástica do polo do Hospital da Universidade de Coimbra, enquanto a criança se encontra no serviço de queimados do Hospital Pediátrico.

Os incêndios de 15 e 16 de outubro de 2017 atingiram particularmente 27 concelhos da região Centro e provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, destruíram total ou parcialmente cerca de 800 habitações permanentes e cerca de outras tantas casas de segunda habitação, quase 500 empresas e extensas áreas de floresta.

VÁRIAS ALDEIAS SEM REDE FIXA E ACESSO À INTERNET

Três meses após os incêndios de 15 de outubro, há ainda várias aldeias e zonas em perímetro urbano onde não há acesso à rede fixa ou à internet, prevendo a Altice repor totalmente os serviços "a muito breve trecho".

Contactados pela agência Lusa, três municípios do distrito de Coimbra (Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra) e quatro do distrito de Viseu (Tondela, Vouzela, Carregal do Sal e Oliveira de Frades) confirmaram que há aldeias que continuam sem qualquer acesso à rede fixa, havendo ainda problemas nas comunicações nas vilas de Oliveira de Frades e da Pampilhosa da Serra.

"Continua a haver falhas na rede da Pampilhosa da Serra. A Altice terá dito que iria resolver tudo até ao dia 15, mas não estou certo de que tal aconteça. Continuamos com falhas em muitas povoações e até na vila e na zona industrial", afirmou o presidente da Câmara, José Brito, frisando que já recebeu queixas de vários empresários que ?não têm forma de enviar e-mails ou fazer movimentos comerciais".

No distrito vizinho de Arganil, também "há várias freguesias e aldeias (muitas) sem ligação", disse à agência Lusa o presidente da Câmara, Luís Paulo Costa, referindo que a Altice se comprometeu "a ter tudo ligado até ao final de janeiro".

Em Góis, o problema também se verifica.

"Demos uma volta pelas aldeias, na altura do Natal, e as únicas críticas que ouvi foi a desilusão com a rede fixa", contou à Lusa a presidente do município, Lurdes Castanheira, referindo que o problema afeta a União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal.

As reclamações quanto às falhas na rede fixa são "sistemáticas", frisou, sublinhando que a população afetada é maioritariamente idosa.

Os problemas nas comunicações continuam a sentir-se também em concelhos do distrito de Viseu.

Em algumas povoações do concelho de Tondela verificam-se "fortes constrangimentos no acesso à internet e ao telefone", de acordo com o município, e no de Oliveira de Frades há "muitas áreas que ainda não sofreram intervenção".

"Mesmo no centro da vila, ainda não existe acesso às telecomunicações, sendo que a população (particulares e coletivos) sentem impacto no seu quotidiano para solucionar as suas necessidades", referiu à Lusa fonte da Câmara de Oliveira de Frades.

Também nos concelhos de Vouzela e de Carregal do Sal há ainda problemas de comunicações por resolver.

Numa resposta enviada à agência Lusa, a Altice prevê "que a reposição total dos serviços esteja feita a muito breve trecho", explicando que a operação foi dificultada pela tempestade Ana, "pelas condições topográficas do terreno e pela afetação dos ?stocks' (concretamente postes) da Altice Portugal, já que alguns fornecedores foram também afetados".

A Altice continua, "neste momento, com 800 operacionais em todo o país centrados nos trabalhos de âmbito da rede local, com especial incidência na rede fixa de acesso nas povoações mais remotas e isoladas", acrescentou fonte oficial da empresa.

No entanto, a empresa sublinhou que a rede física se encontra "reposta em praticamente todos os concelhos do país" afetados pelos incêndios, salientando que em algumas regiões ocorreu "uma migração de cobre para fibra".

"Releva-se ainda que a Altice Portugal anunciou que todos os concelhos afetados verão duplicada a rede de fibra no seu território", frisou a mesma fonte.

 

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