Imprevistos em viagem

Há surpresas nas viagens e é a essas que nos devemos agarrar. Quando os imprevistos são negativos, há que aprender. E assim vamos amadurecendo.
Por: Gonçalo Câmara
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Imprevistos existem sempre. Nas viagens e na vida. Ou evitamo-los, ou aprendemos a lidar com eles. Quer um, quer outro, torna-nos mais fortes e conscientes. 

Em 2016 tinha acabado de aterrar em Bishkek, capital do Quirguistão, com um nível de curiosidade bastante elevado. Era a primeira vez que estava a visitar um país desconhecido pela maior parte dos turistas e com um grau reduzido de cultura ocidental. Ou seja, toda a atenção era necessária. Era preciso ser consciente. Bastava isso. Ainda assim, há que saber lidar com os imprevistos. Nas primeiras horas em Bishkek, visitámos o maior bazaar da cidade. Comércio, pessoas, filas, barulhos, aromas, especiarias. Tudo misturado. Éramos 4 e nunca nos separámos. Seria muito complicado voltar a um ponto de encontro. No meio do percurso e uns minutos mais tarde, um dos meus amigos apercebe-se que tem a sua bolsa aberta. Saímos da confusão e o que temíamos, acabou por acontecer. Roubaram-lhe 600 dólares que ali estavam guardados. Primeiro grande conselho é espalhar o dinheiro por vários sítios. Meias, bolsas de malas, bolso das calças, dentro de livros, etc. Ele concentrou grande parte na bolsa e acabou por ficar sem ela. Averiguámos qual seria a melhor maneira de lidar com a situação sem grandes alaridos. Ainda ponderámos a polícia, mas era um jogo perdido. No Quirguistão, se temos que ter cuidado com alguém, é com a autoridade, infelizmente. A corrupção é uma realidade e fizemos bem em não levantar ondas. Conseguimos falar para Portugal para que lhe fosse transferido dinheiro por um familiar para continuar viagem. 

Nessa noite, a caminho de um autocarro que nos deixaria noutra cidade, fomos abordados pela polícia que nos pediu os documentos, levou-nos até à esquadra e deixou-nos em celas separadas revistando as mochilas durante quatro horas. Queriam saber se batia tudo certo, a versão de viagem de cada um. No fim, quatro horas depois, já no autocarro, reparámos que no processo de ir, voltar, revistar, tinham-nos roubado algum dinheiro escondido nas mochilas. Não desesperámos. Ficámos de pé atrás, mas não deixámos que nos prejudicasse o resto da jornada. Manter a calma pode salvar. Respirar fundo e pensar sem entrar em pânico é muito importante para lidarmos da melhor maneira com o imprevisto. 

É muito importante fazer um seguro de viagem. Existem diferentes plafonds mas é necessário ter um para fazer uma viagem tranquilo. Pagar um pouco mais para que nos possam fornecer um serviço. Seja para perda de avião, de malas ou acidentes no país que vamos visitar.

Quando vamos visitar países que lidam pouco ou nada com o Ocidente, é importante ter consciência das suas crenças, culturas e comportamentos. Já seremos vigiados só por não termos a mesma fisionomia, há que saber respeitar os costumes do país onde estamos. Se assim o fizermos, é meio caminho andando para não encontrarmos problemas. 

Convém reservar alojamento com alguma antecedência para evitar chegadas de última hora e darmos com o nariz na porta a altas horas da noite. Se sabemos que vamos chegar de madrugada a algum lado, nada como marcar online ou por telefone. 
Lembre-se que os imprevistos não tem que ser necessariamente negativos. Há surpresas nas viagens e é a essas que nos devemos agarrar. Quando são negativos, há que aprender. E assim vamos amadurecendo. 

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