O segredo escondido de Santa Maria

Este Verão roubei uns dias de S. Miguel para conhecer a ilha de Santa Maria. Um tesouro "perdido" no meio do Atlântico.
Por: Gonçalo Câmara
partilhar

Em 1493, Cristóvão Colombo parou em Santa Maria e rezou na capela de Nossa Senhora dos Anjos - muito possivelmente a primeira igreja dos Açores - depois de ver reaparecida a sua gente e a sua tripulação que havia sido tomada por uma tempestade em pleno Atlântico. Regressavam do Novo Mundo, tinham descoberto a América e regressavam a casa. Há mais de 500 anos, o explorador e navegador acabaria por se sentar nesta ilha e agradecer. Hoje é connosco. 


Este Verão roubei uns dias de S. Miguel para conhecer a ilha de Santa Maria, a três horas de barco ou a vinte minutos de avião. Um tesouro "perdido" no meio do Atlântico. A ilha é pequena em tamanho mas grande em ideias. A ideia de paraíso, a ideia de inspiração, a ideia de refúgio, a ideia de que se pode ser feliz com pouco. Está tudo neste pedaço de terra sobre a água com menos de 100 quilómetros quadrados e menos de seis mil habitantes. 


Quando ouvimos falar em praias açorianas, temos a ideia da areia escura e da humidade a níveis para lá do normal. Em Santa Maria não. Tão perto de S. Miguel e tão diferente. Clima mais seco e areia branca, água transparente e a 25 graus, o melhor mergulho da minha vida. Talvez numa hora se consiga dar a volta à ilha. 


Chegámos a Vila do Porto no primeiro barco da manhã. O Sol nesse dia não apareceu e de Vila do Porto rumámos até à Praia Formosa. Foi ali que nos hospedámos, nuns apartamentos virados para Sul, com o mar em barulho de fundo, fosse para adormecer ou acordar. Diria que três noites acaba por ser o ideal para ficar a conhecer a ilha de Santa Maria. Nos Açores, um dia cinzento nunca impediu coisa nenhuma e mesmo com um capacete sobre a ilha, acabámos por ir ao mar, numa água que nos acolhe e faz por cuidar. Apesar de pequena, a ilha oferece-nos muitos programas para todos os gostos. Para quem gosta de andar a pé, para quem gosta de explorar novos trilhos ou fazer mergulho. Para quem gosta do mar e se atreve a nadar com mantas ou para quem gosta de comer e experimentar novos tipos de peixe. As lapas são entrada garantida no restaurante Ponta Negra, na Baía de São Lourenço. Foi ali que experimentei pela primeira vez uma caldeirada de atum absolutamente divinal e mais do que recomendável. 


Da Praia Formosa até à Baía de São Lourenço ou até à Baía dos Anjos há que atravessar a ilha ao meio, mas nada que não se faça, até porque é pequena e não demora nada. É muito fácil ir de qualquer ponto até ao ponto oposto. Praia Formosa, Baía de São Lourenço, Baía dos Anjos ou mesmo a Maia. Há que explorar, cheirar e sentir a simplicidade de quem por lá vive. 

Santa Maria é mais uma prova viva de que não é preciso ir para muito longe para ver coisas bonitas. 


Tenho pensado que tudo aquilo que é sublime, majestoso, imponente e belo, só o é porque quem o experimenta está de passagem. Todas as coisas são incríveis porque não são para sempre.

Se comprasse por aqui uma casa e ficasse, mais tarde acabaria por me cruzar com alguém de passagem que olharia para este lugar com o mesmo olhar inicial que em tempos tive e nessa altura já não teria. Serve para viajantes, poetas, fotógrafos ou contadores de histórias. É bonito porque termina um dia.

Mas que sei eu? 
É uma simples teoria.
 

Veja a galeria de imagens em baixo. 

Recomendamos