Nova Iorque e a sua insónia

A cidade onde moram muitos e sonham outros tantos. A cidade que dorme no silêncio, ou não dorme porque não o alcança.
Por: Gonçalo Câmara
partilhar

Nova Iorque, a cidade onde é cada um por si. A cidade onde moram muitos e sonham outros tantos. A cidade que dorme no silêncio, ou não dorme porque não o alcança.

A cidade onde todos se vêem mas ninguém se encontra. Solitária no seu mundo sonhador e rotineiro. Cidade do caos e dos malucos que dela precisam.

Multi-cultural, polivalente, tentadora e onde é fácil deixar de se ser. Variada e agitada, habilidosa e perigosa, imponente e pouco decente.

É fácil perdermo-nos em Nova Iorque. Não pela sua extensão, senão pela sua intenção.

É fácil gastar muito dinheiro em Nova Iorque, mas por outro lado, não é impossível poupar. Se quisermos ir para nos sentarmos de garfo e faca todos os dias a cada refeição, é certo que pesará na carteira. Mas se optarmos por um restaurante numa ocasião especial para poder arriscar e desfrutar da oferta de street food da cidade, acabaremos por ficar financeiramente mais confortáveis. 

A melhor maneira de conhecer uma cidade, é percorrê-la a pé. Foi o que fiz nestes cinco dias em Nova Iorque. Não entrei no metro, não entrei num autocarro. Palmeei a cidade do Central Park para a baixa de Manhattan, senti as diferentes realidades e os contrastes de cada bairro. Da alta sociedade perto do parque, aos bairros mais castiços de Greenwitch Village, passando pelo mundo alternativo do Soho, voltando à azáfama de Wall Street. 

Prédios, prédios, prédios, nesgas de céu aberto e uma vertigem ao contrário. Nova Iorque, uma cidade que pode puxar o melhor como o pior de cada pessoa. Desenvolver a arte e o pensamento ou a veia consumista sem olhar os outros. O segredo é saber vivê-la. 

Passear no Central Park, conhecer a arte moderna do MoMa, a história do Metropolitan, a beleza da Catedral de St. Patrick, a inquietação da Central Station, o silêncio ensurdecedor do Ground Zero. Nova Iorque, as pessoas, o mundo e a sua vidinha. 

Conhecer, para entender. 

Recomendamos