M80 Roteiro de férias 2020: O inesquecível sudoeste alentejano

É onde regresso todos os Verões! Já conhece esta lindíssima região de Portugal?
Por: Ana Carreira
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O pôr-do-sol tinha sido incrível na praia dos Aivados. Quando iniciámos a caminhada de volta ao alojamento, já o anoitecer ia cobrindo os areais, naquela luz ténue de fim de dias de verão. Era só regressar à beira-mar e subir de volta ao Refúgio da Praia. E não era preciso despedirmo-nos do mar, ele passaria a noite connosco. À nossa espera, um magnífico arroz de polvo, num tacho a fumegar, um bom vinho a acompanhar as ondas sempre presentes. 

No Refúgio da Praia, o mar é o anfitrião de serviço. Fica em Porto Côvo, em pleno Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, em frente à Praia do Queimado e ao lado da praia dos Aivados, tem uma vista fantástica sobre o mar e sobre a Ilha do Pessegueiro, e, desde a primeira visita, há 10 anos, que está na minha lista como um lugar inesquecível, onde se explora o mar e a natureza em estado puro. Os seus donos – a simpática família do Sr. Manuel, o Rui, o Pedro e a Isabel - guardam uma história de resiliência para erguer o Refúgio da Praia – era um antigo restaurante nos finais da década de 80 – e partilham com os hóspedes essa dedicação e afinco. São seis quartos com terraço em cima do oceano e verdade pura que cheiram a mar. 

Mais um amanhecer com a ideia de só regressarmos pelo jantar. O Refúgio da Praia assegura os piqueniques e refeições leves prontas a levar, para quem, como eu, prefere ficar pela praia e evitar restaurantes e supermercados, e, sobretudo, não pegar no carro. Assim estico o tempo para respirar, mergulhar, caminhar e honrar o privilégio de passar uns dias de férias naquele lugar. Cereja no topo do bolo, também pode encomendar o jantar num dos três restaurantes recomendados – "Zé Inácio", "A Ilha", "Pizzaria Bella Vita" - e degustá-lo no seu terraço em privado. Acredite, vale mesmo a pena, e por razões pós-pandemia, é mesmo o cenário ideal. Também o pequeno-almoço é servido à porta do quarto num tabuleiro para evitar a sala de refeições e houve o cuidado de pôr uma máquina de café em todos os quartos. 
O Refúgio da Praia detém agora o selo Clean&Safe do Turismo de Portugal para um regresso em segurança à costa alentejana e proporciona-lhe também o acesso à Rota Vicentina, na minha opinião, algo que tem de experimentar nem que seja só uma vez. 

 


A mais bela das rotas 


A seguir ao café no Refúgio da Praia, e se o tempo não convida a banhos, vá munido de calçado confortável, chapéu, garrafa de água e piquenique, e aventure-se pelo Trilho dos Pescadores, com ponto de partida (e chegada, se assim o desejar) no Refúgio da Praia. 
O Trilho dos Pescadores é um dos vários que se insere na Rota Vicentina – espreite aqui: https://rotavicentina.com/ - e só lhe digo que o percurso a pé, pelas falésias, é sentir na pele o luxo de se estar nas mais belas e bem preservadas zonas costeiras do sul da Europa. Muitos estrangeiros habituados a caminhadas têm dito que a Rota Vicentina é encontrar o paraíso no sudoeste alentejano. 

São tantas as opções, explore o site com calma, mas deixo-lhe já aqui um apanhado:
Há trilhos pedestres, percursos de bicicleta, repletos de programas e atividades, com caminhos históricos e os percursos circulares, começando e acabando no mesmo lugar. O Caminho Histórico percorre as principais vilas e aldeias num itinerário rural com vários séculos de história; o Trilho dos Pescadores, sempre junto ao mar, segue os troços usados pelos locais para acesso às praias e pesqueiros, é mais exigente fisicamente; e depois, os percursos circulares, para fazer um por um ou para combinar com a grande rota, o melhor da região para vários gostos e condições, percursos curtos, com a duração de meio dia ou menos. Experimente, o corpo pode ficar dorido mas garanto-lhe, por experiência própria, que a alma fica lavada;)


Herdade do Reguenguinho, Cercal do Alentejo 

Chegámos já ao anoitecer, depois de um dia de praia em Milfontes. Apetecia rapidamente encontrar a Herdade, naquela combinação perfeita entre a praia e o campo, sem multidões e sem betão, sobretudo. Sentir o anoitecer com os sons da natureza depois de um dia de praia é requisito obrigatório das minhas férias. Já há largos anos que procuro essa fusão especial de praia e natureza e o Reguenguinho excede todas as expectativas. À nossa espera, a anfitriã Susana. Muitas velas, os candeeiros de chão, o tom ocre das paredes e aquela brisa de noite de verão, viemos parar ao sítio certo. 

O Reguenguinho é o terceiro vértice de um triângulo formado por Sines e Milfontes. A poucos quilómetros ficam relíquias costeiras como São Torpes, Malhão, Porto Côvo, mas se escolher passar o dia na piscina da Herdade, devo adiantar-lhe que mergulhar em pleno campo alentejano é o que tem (mesmo) de fazer durante a sua estadia. A piscina é incrível porque parece que se cola à terra, e até ali se nota o incrível bom gosto da decoração (interior e exterior) com peças únicas nos quartos, materiais naturais, cores quentes. A simplicidade impera como passaporte para o conforto, onde se contam histórias e memórias. Em cada recanto da Herdade, estamos em casa. 

Por estes dias, o Reguenguinho mantém "a responsabilidade e tranquilidade, com regras de distanciamento social fáceis de cumprir, uma vez que cada quarto é independente, com zonas exteriores diferenciadas. As nossas colaboradoras cumprem critérios exigentes de higiene, para segurança de todos", actualiza Susana. "Os nossos clientes têm acesso às zonas comuns interiores e exteriores assim como à piscina, solicitando responsabilidade e distanciamento recomendados, com tempo consciente de uso de cada espaço", continua. E aquela sopa de tomate servida na Herdade ao jantar? A proprietária assegura que as refeições continuam a ser servidas, só pede reservas com antecedência, para dar resposta com todas as medidas de segurança divulgadas pelas entidades competentes como a DGS, Ministério da Saúde e Turismo de Portugal. 

O restaurante de paragem obrigatória no regresso a casa 

No regresso para Lisboa, a tradição cumpre-se sempre com jantar no restaurante "O Marquês", em Porto Côvo, onde somos brindados pela simpatia dos empregados, o peixe fresco, o excelente marisco, e a esplanada que se mistura na animada e pitoresca praça central da vila.

Veja a galeria de imagens. E boas férias!

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