5 livros para ler durante o confinamento
Gonçalo Câmara
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5 livros para ler durante o confinamento

O livro é um bem essencial. Que isto fique bem claro. Em tempos de confinamento, de isolamento, de distanciamento, nada como um livro para nos confortar, aproximar e fazer viajar nas e pelas palavras.

O livro provoca-nos o leve toque do transporte. Por breves momentos podemos estar na vida dos outros, nos países dos outros, nas histórias dos outros, quando na verdade não saímos do sofá. O livro é uma porta para o mundo. 

Visto que as viagens estão, em grande parte, suspensas, creio que um bom livro para o imaginário do viajante continuar activo pode ser o Patagónia Express do Luís Sepúlveda. O autor deixou-nos o ano passado, vítima das complicações causadas pela Covid-19. Fica a sua obra incomparável. Patagónia Express é uma homenagem a um comboio que já não existe, mas que continua a viajar na memória dos homens e das mulheres da Patagónia. São apontamentos de viagem num livro extraordinário. Ao longo destas páginas, confrontamo-nos com uma vasta galeria de personagens com histórias magníficas, daquelas que só um grande escritor é capaz de arrancar aos labirintos da vida. 

Continuando na secção de livros sobre viagens, trago um outro autor que é também um grande viajante e explorador: Erling Kagge com o seu A Arte de Caminhar. Este livro é também uma viagem interior, a capacidade de olharmos para nós próprios, um desafio também colocado em tempos de pandemia. Neste livro, o autor norueguês explora a caminhada, deixando de ser apenas uma actividade desportiva e passando a ser também uma atitude perante a vida. 

Pondo de lado as viagens, passamos às cartas. Sempre gostei de cartas. Há uma valente dose de cumplicidade e intimidade quando lemos cartas. São desabados, são tapetes estendidos à humildade e à busca de conhecimento. É o caso de Cartas a Um Jovem Poeta de Rilke. Uma colectânea de de peças irregularmente intervaladas no tempo, organizada por Franz Xaver Kappus, muito depois de as ter recebido. Um livro breve que aborda o profundo e o real. 


Ainda dentro da secção dos livros breves e profundos, A Morte de Ivan Ilitch de Lev Tolstói é, para mim, um livro essencial à compreensão humana. Como dizia Lobo Antunes, "uma das maiores obras-primas para do espírito humano. Uma obra que aborda a morte ou a sua negação: eis a controvérsia. Um verdadeiro murro no estômago ao longo de 99 páginas. Um livro que nos põe frente-a-frente com uma reflexão profunda sobre esta coisa inédita e estranha que é a vida e o que fazemos dela. 

Termino com poesia e em português com o livro Movimento de João Luís Barreto Guimarães. Um livro breve com poesia de memória e observação. Um livro que se move entre o que é grandioso e os pequenos instantes. Entre o sublime demorado e o acontecimento rápido. O autor transporta-nos a um quotidiano onde coexistem o belo e o trágico, a ironia e a História e o movimento da vida. 

Estes são cinco dos muitos livros que podemos ter em casa e ler em tempos de confinamento. Livros que nos desarmam e nos salvam.