Lady Gaga: "como comunidade privilegiada ainda não fizemos o suficiente para lutar contra o racismo"

A morte de George Floyd às mãos da polícia continua a provocar reações de indignação entre os artistas. A cantora apelou à mobilização pacífica e teceu duras críticas a Donald Trump.
1 jun 2020
Redação
Música

 

Nos últimos dias, milhares de pessoas têm estado em protesto nas ruas de várias cidades norte-americanas, na sequência da morte de George Floyd, um afro-americano, de 46 anos, que, no passado dia 25 de maio, morreu durante uma detenção policial. As imagens da detenção, que correram o mundo, mostram um agente policial com o joelho em cima do pescoço de Floyd até ao momento em que este perdeu a consciência.

A indignação não tem estado só nas ruas. Está também nas redes sociais. A comunidade artística tem juntado a voz à onda gigante de condenação e protesto contra a morte de Floyd, usando as contas oficiais para amplificar a voz.   

Lady Gaga é uma das vozes que se insurgiu contra o que aconteceu no passado dia 25 em Minneapolis, no Minnesota. A cantora - que não costuma ficar calada no que toca a assuntos sociais relevantes - escreveu um longo texto sobre a morte de Floyd, deixando duras críticas à atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Tenho muito para dizer sobre isto, mas a primeira coisa que quero dizer é que tenho receio de dizer alguma coisa que inflame ainda mais raiva, apesar de ser essa a emoção que se justifica", começou por escrever Gaga. "Não quero contribuir para mais violência, espero contribuir para a solução. Estou indignada com a morte de George Floyd como fiquei com as demasiadas mortes de afro-americanos cujas vidas têm sido levadas, ao longo de centenas de anos, devido ao racismo sistémico e ao sistema corrupto que o apoia", continuou. "É uma altura crítica em que a comunidade negra deve ser apoiada pelas outras comunidades para que possamos pôr um ponto final a algo que está intrinsecamente errado aos olhos de Deus ou do criador que acreditem. A voz da comunidade negra tem sido silenciada há demasiado tempo e, mais uma vez, ficou provado que esse silêncio é mortal. E independentemente da forma como é feito o protesto, ainda não há compaixão dos líderes que supostamente deviam protegê-la", continuou Gaga. "Há muito tempo que sabemos que o presidente Trump falhou. Ele está a assumir a posição mais importante no mundo e, ainda assim, não oferece mais do que ignorância e preconceito, enquanto as vidas da comunidade negra continuam a ser levadas. Sabemos que ele é um tolo e racista desde que assumiu a presidência. Está a inflamar um sistema que já está enraizado no racismo e em ações racistas. Todos podemos ver o que está a acontecer. Está na altura da mudança".
 
Lady Gaga ainda apelou à mobilização pacífica e ao combate deste tipo de situações com amor e compaixão. !Peço às pessoas que falem gentilmente umas com as outras, com paixão, inspiração e que deem importância a este assunto até que este sistema doente morra em vez das pessoas que amamos. DEVEMOS mostrar amor pela comunidade negra. Como uma mulher branca e privilegiada, faço um juramento de apoio a esta causa. Como comunidade privilegiada ainda não fizemos o suficiente para lutar contra o racismo e ficar ao lado das pessoas que estão a ser mortas. Isto não é apenas uma injustiça. É uma tragédia épica que define o nosso país e há muito tempo. Estou triste. Estou revoltada. Sinto raiva. Vou usar as palavras da melhor forma que conseguir para que a mudança seja feita de forma eficaz e pacífica".