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Gonçalo Palma
23 julho 2021, 06:30
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Amy Winehouse morreu há dez anos

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Brian Kersey (Associated Press) - arquivo de 2008
Gonçalo Palma
23 julho 2021, 06:30
Cantora fez estremecer a soul neste século, antes de se auto-destruir.

Foi há dez anos, a 23 de julho de 2011, que morreu Amy Winehouse, em Londres, a cidade onde nasceu e sempre viveu.

Sem precisar de revolucionar a soul, fez estremecê-la, personalizando o género com a sua autenticidade e a sua voz poderosa. Apesar do desnorte da sua vida pessoal, teve sempre o norte estético de quem sabia bem o que queria, sempre que se conseguia concentrar na música. 

Nascida a 14 de Setembro de 1983, Amy Winehouse cresceu no seio de uma família judia, sob os cuidados da mãe e sobretudo da avó materna. Em adolescente, Amy Winehouse já era uma rebelde com problemas de depressão. Cedo a música se tornou uma paixão... e um talento.

A artista inglesa começa como cantora de standards de jazz, acompanhada por uma orquestra. Aos poucos, começou a escrever as suas canções, quase todas bem pessoais, muitas delas inspiradas no seu namorado de então. Assinou bem nova pela Island Records, que tornar-se-ia a sua editora de sempre. O álbum de estreia sai em 2003, com o título de "Frank".

 

Amy Winehouse é fiel ao título do seu álbum de estreia, "Frank", mostrando uma franqueza desarmante e até rude nas entrevistas, não escondendo a sua insatisfação como o disco foi misturado. 

O álbum de 2003 foi gravado com o grande apoio do produtor e amigo Salaam Remi. Mas Amy Winehouse não tinha conseguido o total controlo artístico do disco, tal como gostava. 

 

Com a mudança para uma casa própria em Camden, em Londres, Amy Winehouse começa a perder-se nas drogas e no álcool. Algumas novas companhias não ajudam, como os Libertines e, pouco tempo depois, Blake Fielder, um boémio que vendia panfletos do clube londrino na moda, Trash. Blake Fielder tornar-se-ia o grande amor da vida de Amy Winehouse. Os dois tornam-se inseparáveis mas a relação tornar-se-ia destrutiva, sobretudo para Amy Winehouse.  
 
A vida da cantora começa a desmoronar-se, com crises de apetite e excesso de álcool. Bloqueada após o álbum "Frank", Amy Winehouse é encostada às cordas pela editora Island e é isolada. 

A reclusão em casa do produtor Salaam Remi, em Miami, em 2005, permitiu-lhe escrever e gravar canções a um ritmo bem acelerado. Amy Winehouse exorciza todos os seus problemas pessoais para grandes canções. O desgosto amoroso com Blake Fielder torna-se o motor de inspiração para o novo disco.  

Esse segundo álbum seria "Back to Black", lançado em 2006, onde Amy Winehouse surge bem mais magra. Outros males ajudam a tornar o disco ainda mais sombrio, como a morte da sua avó materna, que a tinha criado, ou a sua bulimia cada vez mais latente.  
 
Todos os seus problemas passam para as letras de forma directa, sem subterfúgios. 

 

O segundo álbum de Amy Winehouse, “Back to Black”, é reconhecido como uma das obras-primas deste século. 'Rehab' é o êxito maior do álbum "Back to Black", recheado de outros temas carismáticos como 'You Know I'm No Good', 'Love Is a Losing Game' ou 'Tears Dry on Their Own'. A sua canção monumental 'Back to Black' é uma autêntica marcha fúnebre de um amor perdido... e o retrato da sua vida.

 

Com o produtor Mark Ronson a assumir os arranjos de "Back to Black", Amy Winehouse afastou-se do jazz mais clássico e seguiu para uma soul mais crua, como se tivesse renascido de novo. 

Este álbum de 2006 fez de Amy Winehouse uma cantora respeitada pela crítica, uma estrela e um alvo da imprensa tabloide. Aquela figura vulnerável e pequena tinha as máquinas fotográficas em cima de si sem piedade. 

 

A consagração torna-se imparável. Amy Winehouse vence o Brit de Melhor Artista Feminina. E conquista os Estados Unidos, tendo as capas das grandes publicações e as presenças nos talk-shows mais populares. Em Fevereiro de 2008, torna-se na grande vencedora da cerimónia dos Grammys, ao ganhar cinco prémios.  


Já com o sucesso a grande escala do álbum “Back to Black”, o problemático Blake Fielder volta à vida de Amy Winehouse, como namorado e mais tarde como marido. Depois do casamento de ambos nos Estados Unidos, Amy Winehouse apanha o vício do marido nas drogas mais duras de todas: heroína e crack.  
 
A sua carreira começa a desnortear-se e as sua atuações tornam-se embaraçosas, incluindo a que ocorreu em Portugal, no Parque da Bela Vista, em Lisboa, em 2008. Encadeada pelos flashs dos paparazzi, a cantora prosseguia o seu rumo penoso em direção à morte precoce, com um corpo cada vez mais esquelético e manchado. Reabilitações falhadas, recaídas quase fatais nas drogas duras e uma pressão para não cancelar concertos foram destruindo Amy Winehouse. 
 
A 23 de Julho de 2011, há exatamente dez anos, Amy Winehouse foi encontrada morta na sua casa de Camden, em Londres, com excesso de álcool. A cantora tinha 27 anos. 

Em março de 2011, quatro meses antes, Amy Winehouse teve a sua colaboração de sonho, com o seu ídolo de sempre Tony Bennett. Tornou-se uma das mais emblemáticas versões do standard de 1930, Body and Soul.

 

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