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Gonçalo Palma
13 outubro 2021, 07:00
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Paul Simon, o músico-repórter do mundo

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Richard Drew (Associated Press) - arquivo de 2019
Gonçalo Palma
13 outubro 2021, 07:00
Cantautor faz hoje 80 anos de vida. Escolhemos dez momentos altos da sua carreira.

Paul Simon faz hoje 80 anos. Nasceu em 1941 na cidade de Newark e vive desde os quatro anos ali ao lado, na cidade de Nova Iorque. 

Pequenino, de ar normalíssimo e recatado, nunca foi o cantautor conservador que alguns julgarão. Ele é não só um dos maiores cantautores americanos de sempre, como também foi sendo uma espécie de National Geographic da música. Foi captando e personalizando os sons de vários pontos do planeta, indo aos locais gravar, mesmo em condições de risco.

Formou com o seu amigo de infância Art Garfunkel a dupla mais célebre da música popular, Simon & Garfunkel. Venderam mais de 100 milhões de cópias em todo o mundo e chegaram a ter diante deles uma multidão de meio milhão de pessoas no Central Park, em Nova Iorque, no concerto de regresso, em 1981.

Há praticamente 50 anos, passou a dedicar-se a tempo inteiro à sua carreira a solo, onde soube metamorfosear-se com elegância e mesmo com impacto histórico, como o caso da sua obra-prima "Graceland", de 1986.

Selecionamos dez pontos altos da sua longuíssima carreira: cinco na companhia vocal de Art Garfunkel, outros cinco no seu percurso em nome próprio.

'Homeward Bound' (do álbum de 1966, "Sounds of Silence")
Nos anos 60, a renovação da folk liderada por Bob Dylan marcaria Paul Simon e Art Garfunkel, ao ponto de formarem novamente par, já enquanto Simon & Garfunkel (depois de terem sido Tom & Jerry). 'Homeward Bound' é um dos momentos do génio folk de Paul Simon, uma serena melodia que se eternizou docemente no tempo e se aninhou nas memórias do mediático concerto no Central Park de 1981.


 
'Scarborough Fair' (do álbum de 1966, “Parsley, Sage, Rosemary and Thyme”)
A comédia emblemática "The Graduate" (de 1967), onde se destaca Dustin Hoffman (e não só), é quase toda ela preenchida por várias canções de Simon & Garfunkel, entre as quais esta versão de um tradicional folk de Inglaterra, 'Scarborough Fair'. Escusado será dizer que esta banda sonora deu uma projeção enorme à dupla, que se tornou irreversível. 

 

'Mrs. Robinson' (do álbum de 1968, “Bookends”)
A ligação de Simon & Garfunkel ao novo cinema americano dos anos 60, por intermédio do filme "The Graduate", faz-se muito através desta música, completada a tempo de entrar na banda sonora. É bem conhecida a versão dos Lemonheads desta canção, que Frank Sinatra antes já tinha interpretado.  

 

'Bridge over Troubled Water' (do álbum de 1970, "Bridge over Troubled Water")
Simon & Garfunkel, que tinham atuado no mítico festival de 1967 Monterey Pop, recusaram dois anos depois o convite para participar no festival de Woodstock, tudo porque estavam a trabalhar naquele que se tornou o mais importante álbum da dupla, “Bridge over Troubled Water”. A canção que dá título ao disco de 1970 prova o trabalho de composição cada vez mais meticuloso de Paul Simon, que tinha já consigo um reportório de altíssimo nível, comparável ao dos Beatles ou ao de Brian Wilson dos Beach Boys.

 

'El Cóndor Pasa' (do álbum de 1970, “Bridge over Troubled Water”)
Simon & Garfunkel cantam com letra em inglês 'El Cóndor Pasa', com base da música tradicional peruana, como se estivessem com os pés nos Andes. A adaptação desta zarzuela do início do século XX foi uma obstinação de Paul Simon que deu à canção uma fama universal. 

 

'Mother and Child Reunion' (do álbum de 1972, “Paul Simon”) 
Com a separação de Simon & Garfunkel, a carreira a solo torna-se na prioridade única de Paul Simon. E é já nessa nova vida em nome próprio que lança o seu álbum homónimo, que tem uma incursão pelo reggae (género então pouco conhecido do grande público) em 'Mother and Child Reunion', antes de Bob Marley ser uma estrela mundial. Paul Simon fez mesmo questão de o gravar na Jamaica, com a banda de Jimmy Cliff.

 

'American Tune' (do álbum de 1973, “There Goes Rhymin' Simon”) 
'American Tune' é uma canção a solo de Paul Simon que se tornou um dos temas recorrentes nos alinhamentos dos esporádicos concertos de regresso de Simon & Garfunkel. 'American Tune' é uma doce balada folk, ao estilo de Paul Simon, mas inspirada numa cantata sacra que o compositor Bach adaptou. A letra que Paul Simon escreveu para 'American Tune' é um lamento conformista sobre o destino da sua América, na ressaca da eleição de Richard Nixon para Presidente dos Estados Unidos. 

 

'You Can Call Me Al' (do álbum de 1986, “Graceland”)
Paul Simon saiu da sua zona de conforto para a sua grande aventura expedicionária, na África do Sul negra dos tempos do Apartheid, para gravar “Graceland”, todo ele delineado no país austral. A envolvência de sons africanos em “Graceland” tornou-se um marco, sobretudo no indie-rock do século XXI, de bandas como os Vampire Weekend. O disco deu um dos maiores êxitos a solo de Paul Simon, o parodiante 'You Can Call Me Al'.

 

'The Obvious Child' (do álbum de 1990, “The Rhythm of the Saints”)
A expedição musical seguinte foi ao Brasil, às ruas de Salvador da Bahia, de onde brotaram algumas das canções de “The Rhythm of the Saints”, como a célebre 'The Obvious Child', fortemente ritmada pela percussão nordestina, onde se inflitrou a voz moderada de Paul Simon.

 

'Wristband' (do álbum de 2016, “Stranger to Stranger”) 
Em “Stranger to Stranger”, Paul Simon volta a ser um músico acutilante e imprevisível, sempre a pôr o pé no futuro, interessado na instrumentação étnica e ao mesmo tempo atento às potencialidades da tecnologia digital. 'Wristband' é um dos temas onde o cantor se mostra inconformista e desconcertante, nunca se deixando formatar.

   


 

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