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Redação / Agência Lusa
16 fevereiro 2022, 13:53
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Empresa de casal alemão no Alentejo quer transformar lã em fertilizantes biológicos

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Redação / Agência Lusa
16 fevereiro 2022, 13:53
O projeto é considerado pioneiro em Portugal, além de cumprir princípios de sustentabilidade ambiental.

Uma empresa pretende desenvolver, em Castelo de Vide (Portalegre), um projeto considerado "pioneiro” em Portugal que prevê a transformação da lã de ovinos e caprinos em fertilizantes biológicos para o solo, na forma de ‘pellets’.

O presidente da comissão de cogestão do Parque Natural da Serra de São Mamede (PNSSM), António Pita, explicou à agência Lusa que o projeto, denominado “Boa Terra”, foi apresentado àquela entidade por um casal alemão que reside naquela área protegida.

"O casal vive em Marvão, há cerca de um ano, e apresentou à comissão este projeto muito simples, mas pioneiro no país”, que já existe em países como a Alemanha, revelou.

O projeto, “basicamente, aproveita a lã dos animais de abate transformando-a em ‘pellets’ como fertilizantes do solo”, acrescentou.

Para António Pita, que é também presidente da Câmara de Castelo de Vide, a “grande vantagem” desta iniciativa passa pelo aproveitamento de um subproduto do animal que, frequentemente, “não tem valor, não é utilizado”, e que, assim, passa a ser aplicado como um fator “extremamente positivo” no solo.

Contactado pela Lusa, o porta-voz da empresa, Ricardo Oliveira, explicou que a lã é transformada em fertilizantes biológicos através de uma máquina que tritura esse produto de origem animal.

“A máquina vai triturar a lã em bocadinhos, entre os quatro e sete milímetros”, indicou, referindo que o produto é, depois, “compactado a alta pressão e higienizado a uma temperatura de 100 graus”.

Ricardo Oliveira explicou ainda que o produto pode, a seguir, ser aplicado diretamente no solo, embora “o ideal” passe por efetuar uma pequena lavoura no solo, com uma profundidade de “entre três a quatro centímetros”.

De acordo com o responsável, o projeto envolve um investimento “abaixo dos 250 mil euros” e deverá estar em pleno funcionamento a partir de junho, devendo criar “quatro a cinco postos de trabalho”.

O presidente da comissão de cogestão do PNSSM considerou que o projeto tem “o grande mérito” de cumprir com princípios de sustentabilidade ambiental, sem que sejam produzidos “quaisquer resíduos nefastos” para o ambiente.

A empresa encontra-se nesta fase a obter os respetivos licenciamentos e espera obter a certificação de produto sustentável e biológico.

“O PNSSM vê com bons olhos” a vinda para a região deste “tipo de projetos”, sobretudo os que possam ter “o selo natural.pt, que é um selo ambiental de um produto feito numa área protegida”, disse António Pita.

Na mesma reunião da comissão de cogestão do PNSSM onde o “Boa Terra” foi apresentado, estiveram presentes representantes do Instituto Politécnico de Portalegre (IPP), tendo sido “manifestado interesse” em colaborar, no futuro, com esta iniciativa.

Segundo o representante do casal alemão promotor, nesta fase, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) está a desenvolver um estudo para que a empresa possa obter o certificado para o uso da lã no solo.

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