Ouça a M80, faça o download da App.
Agência Lusa
23 maio 2022, 11:44
Partilhar

Cientistas de Coimbra desenvolvem novo material que pode substituir o plástico

Partilhar
Universidade de Coimbra
Agência Lusa
23 maio 2022, 11:44
Até agora, os resultados obtidos na investigação "são altamente promissores, demonstrando que esta pode ser uma solução de futuro viável", revelam os investigadores.

Uma equipa de investigadores liderada pela Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um substituto do plástico a partir de nanocelulose combinada com um mineral fibroso, totalmente biodegradável e biocompatível.

Em nota de imprensa, a UC afirma que o novo material tem várias aplicações, desde logo "embalagens alimentares e impressões eletrónicas, abrindo portas à fabricação de plásticos mais sustentáveis”.

Segundo o comunicado, o novo material foi desenvolvido ao longo dos últimos três anos, em parceria com o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e a Universidade da Beira Interior (UBI), contando ainda com a colaboração da empresa espanhola TOLSA.

Esta nova solução ecológica, “que, na prática, se traduz numa nova classe de filmes compósitos”, foi produzida a partir de nanocelulose, “obtida através de processos mecânicos, químicos e enzimáticos, combinada com um mineral fibroso, um recurso geológico que permite a redução de custos e a melhoria de propriedades mecânicas e de barreira muito importantes”.

Citados no comunicado, José Gamelas e Luís Alves, respetivamente coordenador do projeto e investigador principal do estudo, explicaram que as propriedades mecânicas derivam de os filmes “terem de ser resistentes”, enquanto as de barreira estão relacionadas com a impermeabilidade aos gases [dos filmes], ou seja, resistência ao ambiente”.

Segundo os dois investigadores do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF) da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), “a grande inovação” deste novo substituto do plástico é o uso de minerais fibrosos, “que não têm qualquer risco para a saúde, e também a preparação dos filmes por filtração, o que acelera muito o processo de produção”.

“Por exemplo, com o processo convencional pode durar uma semana até se obter os filmes, enquanto através do método por filtração conseguimos ter os mesmos filmes em poucas horas e com melhores propriedades”, garantiram.

Até agora, os resultados obtidos na investigação “são altamente promissores, demonstrando que esta pode ser uma solução de futuro viável. Aumentar a escala de produção, otimizar processos e explorar as propriedades destes filmes para outras aplicações, nomeadamente para restauro de livros antigos, serão os próximos passos do projeto”, revelaram José Gamelas e Luís Alves.

“Embora o projeto tenha sido pensado para embalagens alimentares e eletrónica impressa, há muitas outras aplicações que podem beneficiar desta solução, tais como a conservação/restauro de documentos importantes em suporte de papel que tenham problemas de degradação com o envelhecimento”, acrescentaram.

Os dois cientistas lembraram ainda que utilização massiva de plásticos e a “incapacidade de fazer uma reciclagem apropriada é cada vez mais um tema de grande importância na sociedade contemporânea”.

“Por isso, é fundamental a procura de novos materiais produzidos a partir de recursos não fósseis, isto é, de recursos renováveis, para reduzir o uso do plástico”, defenderam.

A investigação foi desenvolvida no âmbito do projeto “FilCNF: Nova geração de filmes compósitos de nanofibrilas de celulose e partículas minerais como materiais de elevada resistência mecânica e propriedades de barreira a gases”, financiado em 190 mil euros pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Partilhar