Ouça a M80, faça o download da App.
Agência Lusa
22 junho 2022, 11:12
Partilhar

Agricultores da Guarda pedem ajuda ao Governo para captar água

Partilhar
Nuno Veiga/LUSA
Agência Lusa
22 junho 2022, 11:12
Associação Distrital dos Agricultores da Guarda está preocupada com a seca na região.

A Associação Distrital dos Agricultores da Guarda (ADAG) disse hoje (22 de junho) estar preocupada com a seca na região e apelou ao Governo para que ajude os agricultores na abertura de charcas, poços e furos, para alimentação de animais e rega de plantas. A (ADAG) disse que "se não chover, (o verão) vai ser complicado. Inclusive, o abeberamento dos animais tem que ser fornecido pelos produtores pecuários, pelos agricultores, porque as charcas e os cursos de água já estão secos desde maio. Não houve precipitação e continua a não haver e vem-se a agravar ainda mais a situação de seca nos solos e nos recursos hídricos".

Segundo Sandrina Monteiro, a situação para os agricultores da região "está bastante preocupante, quer na área agrícola propriamente dita, quer na área pecuária, porque está a comprometer a alimentação de inverno". salientando ainda que a seca " está a comprometer as pastagens, porque já estão secas e já não voltam a rebentar, e também o próprio abeberamento dos animais, porque não há recursos hídricos disponíveis nas pastagens para eles poderem satisfazer as necessidades em termos de água. E é mais um gasto que o agricultor tem que ter, que é o transporte da água para as parcelas onde estão os animais."

A dirigente adiantou que os associados têm contactado a associação para saber de ajudas para a criação de novos poços, furos e charcas, mas, este ano, o distrito da Guarda não foi contemplado nas candidaturas para este fim. Alertando ainda que "se a nossa agricultura já é muito difícil, já tem muitas despesas, se não tivermos estes recursos hídricos para podermos colmatar as necessidades de água para os animais e para as plantas, eu estou convencida de que a área agrícola vai diminuir ainda mais." 

Na opinião de Sandrina Monteiro, ?é crucial? que o Ministério da Agricultura ?arranje ferramentas? para auxiliar os agricultores ?a terem ajudas para fazer charcas, poços, furos, para poderem continuar com as suas explorações, porque, senão, vai ser muito complicado?. A responsável afirmou que este ano está a ser ?dramático? para os agricultores da região da Guarda, uma vez que ?o inverno foi muito seco e já não houve desenvolvimento das pastagens? e que "os  agricultores na área da pecuária esgotaram o ?stock? e tiveram que fazer a compra de alimentos e, agora, [a situação] agravou-se com as culturas de inverno e não houve o desenvolvimento das culturas dos cereais."

A presidente da ADAG afirmou que o ano agrícola ?vai ser muito complicado? devido à seca, a que se juntam outros fatores, como os custos de produção, relacionados com os aumentos dos combustíveis e a aquisição das sementes. Sandrina Monteiro indicou que alguns produtores pecuários ?estão a pensar reduzir o efetivo, porque não têm maneira para alimentar os animais e o preço de venda não consegue colmatar as despesas que têm?.

Segundo previsões oficiais, 34% do país está em seca severa e 66% está em seca extrema.

Dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera indicam que este ano é o mais seco de que há registo (desde 1931) e que só o ano de 2005 se aproximou da situação atual, pelo que a seca meteorológica e agrometeorológica "obriga a tomar medidas?.

Partilhar