U2: 50 canções para 40 anos de discos (do 40º ao 31º)

Continua a contagem até domingo, dia em que se assinala o 40º aniversário do arranque da discografia da banda irlandesa.

Para celebrar o 40º aniversário do início da discografia dos U2, com o EP "Three", que se assinala no domingo, temos feito um levantamento das 50 melhores canções do universo da banda de Dublin, desde 1979. A seleção sublinha a diversidade da obra discográfica dos U2, numa escolha assumidamente subjetiva.

Vamos já na segunda parte desta eleição, do 40º ao 31º. Podem ver neste link o artigo anterior, relativo às canções posicionadas entre o 50º e o 41º. 

40º 'Do You Feel Loved' > do álbum de 1997, "Pop"
Foi aventado para single mas nunca passou de uma hipótese. E tornou-se uma das músicas de "Pop" menos tocadas ao vivo na megalómana PopMart Tour. Mas é das canções mais fortes do disco, um dos raros casos em que o rock não foi apagado nesta fase mais eletrónica. 


39º 'Bad' > do álbum de 1984, "The Unforgettable Fire"
O Live Aid tornou-se ainda mais humanitário quando Bono se esteve nas tintas para o tempo contado que os U2 tinham para tocar no Wembley e resolveu saltar do palco para salvar uma adolescente que estava a sentir-se sufocada, nas esmagadíssimas filas da frente. Na verdade, saltaram três miúdas (uma delas fã dos Wham!) e Bono abraçou-as. O mundo assistiu a isto tudo, enquanto a banda continuava a tocar 'Bad', numa versão bem mais alongada que obrigou a excluir da setlist o tema final, 'Pride (In the Name of Love)'. A banda sentiu-se na altura frustrada mas, na verdade, o mundo comoveu-se com este momento inusitado em direto para quase dois biliões de espetadores em todo o planeta. Já ninguém mais iria parar os U2.


38º 'Dirty Day' > do álbum de 1993, "Zooropa"
Esta é uma das canções em que Bono cita expressões que costumava ouvir do seu pai, como "there's no blood thicker than ink" ("nenhum sangue é mais grosso que tinta") ou "it won't last kissin' time" ("não durará o tempo dos beijos"). O tema simboliza bem o álbum comedido e fascinante que é "Zooropa" e foi tocado nos últimos concertos da longa digressão mundial da Zoo TV, em 1993. 


37º Bono & Clannad - 'In a Lifetime' > single de 1986
Sem a presença ofuscante da guitarra elétrica de The Edge, fica mais clara naquela limpidez etérea dos Clannad a qualidade vocal (nem sempre reconhecida) de Bono, em dueto com um registo completamente diferente, o de Enya. Nunca víramos o rocker urbano de Dublin, Bono, tão inserido no ambiente campestre da sua Irlanda. As imagens deslumbrantes que se vêem no vídeo são do norte da ilha: o mar, as montanhas e os lagos.   


36º 'Bullet the Blue Sky' > do álbum de 1987, "The Joshua Tree"
Sempre que Bono quer fazer os seus desabafos políticos, esta é a música para o fazer. Desde 1987, quando a canção foi publicada, que faz parte dos alinhamentos ao vivo, tendo crescido em palco ao longo dos anos. "Põe-me El Salvador num amplificador", assim pediu Bono ao guitarrista The Edge. Nascia um dos temas mais políticos dos U2. A metralhadora de guerrilha era a guitarra de The Edge. Na digressão mundial de "The Joshua Tree", Bono pegava num holofote para iluminar The Edge a tocar a parte instrumental de 'Bullet the Blue Sky'. A imagem é tão bonita que ficou eternizada como capa do álbum seguinte, "Rattle and Hum", cujo título repesca na letra desta música: "In the locust wind comes a rattle and hum".  


35º Stories for Boys > do EP de 1979, "Three"
Este tema é sintomático do período aguerrido e inocente dos U2. Apareceu verdinho no EP de estreia dos U2 - o tal EP que faz 40 anos este domingo - mas rapidamente se desenvolveu, a tempo de ser um dos temas fortes do álbum do ano seguinte, "Boy". A guitarra elétrica de The Edge transforma-se num mapa de mil e um trilhos e o baterista Larry Mullen Jr. já mostrava aqui todo o seu cabedal de instrumentista das baquetas.


34º 'Even Better Than the Real Thing' > do álbum de 1991, "Achtung Baby"
A Zoo TV Tour era uma espécie de stand up comedy de orçamento elevado, onde Bono parodiava o seu estatuto de estrela rock. Nos concertos, pegava num comando e punha-se a fazer zapping nos numerosos ecrãs à volta do palco, ou ligava a pedir um táxi numa chamada em voz alta para todo o estádio. Nesse contexto, o divertido e contagiante 'Even Better Than the Real Thing' era o encaixe perfeito naquele ambiente de sátira à era do instantâneo. 


33º 'October' > do álbum de 1981, "October"
É das canções mais atípicas dos U2, com The Edge ao piano a estruturar todo o tema que dá título ao segundo e complicado disco dos U2. É um parêntesis outonal e melancólico numa banda conhecida pela garra otimista.


32º 'City of Blinding Lights' > do álbum de 2004, "How to Dismantle an Atomic Bomb"
Esperançoso é um adjetivo que apetece sempre escrever sobre o som dos U2, como é o caso deste tema desenhado pela guitarra elétrica multidirecional de The Edge. A canção é um conjunto de evocações autobiográficas de Bono, que viaja espiritualmente pelos primeiros anos dos U2. É um dos temas mais populares ao vivo entre a colheita deste milénio, assíduo nos alinhamentos dos concertos. 'City of Blinding Lights' foi premiada com o Grammy de Melhor Canção Rock de 2005.


31º 'MLK' > do álbum de 1984, "The Unforgettable Fire"
'MLK' são as iniciais de Martin Luther King, o político messiânico que ilumina outra canção de "The Unforgettable Fire", 'Pride (In the Name of Love)'. Este tema atmosférico, 'MLK', é uma prece de Bono que volta e meia regressa aos palcos dos U2 sempre que um momento político aperta. 'MLK' tem servido muitas vezes de ponte introdutória para outro tema nos concertos dos U2.