U2: 50 canções para 40 anos de discos (do 50º ao 41º)

Início da contagem dos "melhores temas" do universo da banda irlandesa.

No próximo domingo, assinalam-se os 40 anos da discografia de uma das maiores bandas rock do planeta, os U2. A 22 de setembro de 1979, era lançado na Irlanda o primeiro disco do grupo, o EP intitulado "Three", com a formação de sempre: Bono nas vozes, The Edge na guitarra elétrica (e sempre disponível para os teclados), Adam Clayton no baixo e Larry Mullen Jr na bateria.

De hoje até domingo, vamos publicar diariamente um artigo com dez canções cada, da lista total do que consideramos ser os 50 melhores temas de sempre do universo dos U2 (sejam da própria banda ou a ela associados de alguma maneira). Para uma banda tão multiangular como os U2, escolhemos estes temas a partir das mais diversas perspetivas, assumindo por inteiro a nossa subjetividade. Afinal, na música, as emoções estão acima da razão. Esta série de cinco artigos é uma homenagem merecida aos U2.

A contagem começa hoje, do 50º ao 41º. 


50º 'Two Hearts Beat as One' > do álbum de 1983, "War"
Foi uma das apostas para single do álbum politizado "War" mas a canção foi caindo no esquecimento nos anos subsequentes. Na tomada do mundo em 1983, este é o segundo videoclipe do grupo rodado fora da Irlanda, em plena Paris, mesmo em frente a um dos seus ex-líbris: a basílica Sacré-Cœur.


49º 'Babyface' > do álbum de 1993, "Zooropa"
Na era da sátira multimédia dos U2 do início dos anos 90, Bono canta sobre um homem voyeurista que na solidão está obcecado pela beldade de uma celebridade feminina, vendo-a em câmara lenta, frame a frame, numa gravação vídeo. O homem despe-a virtualmente, na montagem do vídeo. É uma das muitas baladas de "Zooropa" que faz deste álbum uma serena e sublime obra pop.


48º "40" > do álbum ao vivo de 1993, "Under a Red Blood Sky"
É o cântico do público no refrão "How long to sing this song" que fecha este disco ao vivo e lhe dá um caráter ainda mais único. No filme-concerto "Live at Red Rocks", descobrimos o truque de Bono, que longe dos microfones dinamiza o cântico naquele anfiteatro norte-americano lindíssimo junto do público, como se o cantor fosse um líder de claque. A estratégia resultou e o final foi memorável. '40' pertence ao álbum "War" mas a sua grandeza deve-a a este momento em Red Rocks, em 1983.


47º Passengers - 'Theme from Let's Go Native' > do álbum de 1995, "Original Soundtracks 1"
Se os passageiros de "Original Soundtracks 1" eram os quatro membros dos U2, o comandante era já o produtor Brian Eno, com a sua visão mais cinematográfica da música. Discutiu-se muito quem seria o quinto Beatle. Se essa discussão envolvesse os Fab Four da Irlanda, os U2, talvez o quinto membro do grupo pudesse ser Brian Eno. Nunca a sua influência nos U2 foi tão longe como neste disco aventureiro, ao ponto de ter que se apagar o nome da banda na autoria do disco. Tal como na maioria das faixas deste disco, 'Theme from Let's Go Native' é para um filme que não existe.


46º 'A Sort of Homecoming' > do EP de 1985, "Wide Awake in America"
A palavra saudade não consta no léxico inglês, mas 'A Sort of Homecoming' é a forma dos U2 cantarem as saudades pela sua Irlanda. O tema abre o álbum de 1984, "The Unforgettable Fire", mas preferimos indicar a versão ao vivo deste tema para o EP (primeiramente editado apenas nos mercados americano e japonês) "Wide Awake in America", com uma melancolia mais apertada pelas saudades durante o cumprimento itinerante da digressão. O videoclipe ao vivo corresponde a essa versão, onde imagens ao vivo intercalam com as do mar que os levarão de volta à terra.


45º 'Mofo' > do álbum de 1997, "Pop"
Nunca o palco dos U2 se transformou tanto numa pista de dança como nesta canção, do álbum mais eletrónico da discografia dos U2, "Pop". A sátira à era de multimédia na digressão de Zoo TV passou a focar-se mais no consumismo na turné mundial de 1997 PopMart Tour, que aterrou no antigo Estádio de Alvalade (Lisboa), com a sua tela de 50 metros de largura e um arco que parecia metade do M do Mc Donald's. Depois da entrada da banda num corredor pelo meio da multidão, com Bono a gesticular como um pugilista, o arranque do espetáculo da PopMart fazia-se ao som do endiabrado 'Mofo'.


44º 'No Line on the Horizon' – do álbum de 2009, "No Line on the Horizon"
O radar de Bono também capta a fotografia. Foi numa série de fotos do artista japonês Hiroshi Sugimoto, a coleção Seascapes, sobre horizontes marítimos à volta do mundo, que o vocalista dos U2 encontrou vocação espiritual para a ideia de infinito. A linha indefinida entre mar e céu foi o encaixe lírico perfeito para a armação instrumental preparada pelo resto da banda, uma cavalgada sensorial a lembrar os tempos do álbum "Achtung Baby!" de (1991). 'No Line on the Horizon' não só dá título ao álbum de 2009, como abre o disco. A capa é uma das fotos de Sugimoto para a coleção Seascapes 

 

43º 'Where the Streets Have No Name' > do álbum de 1987, "The Joshua Tree"
É talvez o tema mais obrigatório dos concertos de U2 há muitos anos. A canção é um catalisador de emoções ao vivo, que ajudou a fazer dos U2 a banda rock mais popular da sua geração. A U2mania vivida na digressão de "The Joshua Tree" inspirou a formação irlandesa a experienciar algo parecido com os que os Beatles tinham arriscado, com uma atuação no topo de um prédio, em Londres. Os U2 não foram tão alto, mas fizeram algo semelhante, acima de uma grande garrafeira de Los Angeles, poucos metros acima de uma multidão que não parou de crescer. A experiência dos U2 teve um picante que a dos Beatles não teve, com a intervenção da polícia a interromper a atuação gratuita. Cortou-se o show, mas não as cenas de filmagem. Ficou tudo registado no videoclipe premiado com um Grammy.


42º Sinead O’ Connor - 'You Made Me the Thief of Your Heart' > filme de 1993, "In the Name of the Father" 
Bono quase sempre compôs para a sua própria voz. Mas uma das músicas que escreveu com o seu amigo de longa data Gavin Friday para o filme "In the Name of the Father" foi entregue à interpretação extraordinária da compatriota Sinead O’ Connor. Quer Bono, quer Sinead O’ Connor sempre se mobilizaram pela problemática da Irlanda do Norte. Tratando-se de um filme inspirado em factos verídicos, sobre um pai e um filho que são injustamente condenados a uma pena prisão por lhes ter sido atribuída a culpa num ataque bombista do IRA que matou cinco pessoas num pub, havia mola criativa para Bono se inspirar e Sinead O' Connor se expressar.


41º 'Heartland' - > do álbum de 1988, "Rattle and Hum"
Sentido na época como um esforço a meio-gás dos U2, "Rattle and Hum" é um álbum que tem envelhecido bem, dotado de um encadeamento de canções dinâmico e musicalmente competente que cada vez soa melhor. O formato misto, de interpretações ao vivo e de canções novas, baralhou e desencantou muita gente na altura, mas a paixão dos U2 pelos blues, pelo gospel e pela América ia de vento em popa neste disco que é também um rockumentário sobre a fase final da digressão de The Joshua Tree em 1987. Neste disco injustiçado, contam-se maravilhas como 'Heartland'.